Pular para o conteúdo principal

Reitoria da PUC-SP viola os Direitos Humanos

Só para lembrar antes da matéria abaixo,que hoje Dia 28/02, quinta-feira, 12h e 18h30, na frente da reitoria
VAMOS LAVAR ESSA SUJEIRA!
Tragam baldes, sabão e vassoura para esse ato simbólico!
(vai que debaixo do lixo repressor, encontramos a liberdade e a democracia puquiana)
Às 19h30 faremos uma Reunião Ampliada (no Pátio do Benê) para debatermos nossa mobilização contra a perseguição política na PUC-SP
OBS: Na mesma quinta-feira, às 8h, na sala P-65, haverá mais uma audiência do processo administrativo com algumas testemunhas de acusação

Reitoria da PUC-SP
viola Direitos Humanos


Ao analisar o relatório da Comissão Sindicante sobre a ocupação da Reitoria da PUC-SP pelos estudantes – fato ocorrido em novembro de 2007 – e o ato-conjunto da reitora Maura Bicudo Véras e dos secretários da Fundação São Paulo, que instaurou o processo administrativo contra os estudantes, fica evidenciado que os procedimentos adotados não apenas ferem o Estatuto e o Regimento Geral da Universidade, a Constituição Federal, os princípios processuais básicos de Justiça e os postulados da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Tais evidências decorrem dos seguintes fatos:

1) Todas as informações disponíveis – inclusive veiculados pela própria Reitoria – dão conta de que centenas de estudantes, entre 300 a 500, decidiram ocupar a Reitoria na noite de 5 de novembro de 2007; na desocupação, na madrugada de 11 de novembro, a tropa de choque da Polícia Militar identificou (nome e RG) dentro da sala da Reitoria 122 alunos da PUC-SP e outros 32 estudantes não matriculados na Universidade.

2) A Comissão Sindicante nomeada pela Reitoria, que iniciou seus trabalhos dia 3 de dezembro e entregou o relatório final dia 26 de dezembro, 23 depois, convocou atabalhoadamente alguns alunos para depor, por telegrama, sem especificar do que se tratava, e se recusou a fornecer a esses alunos a cópia do ato da Reitoria que havia determinado a sindicância; como os alunos convocados para depor protocolaram pedidos de cópia do ato da Reitoria, a Comissão Sindicante simplesmente dispensou a coleta do depoimento desses estudantes, não ouviu os estudantes como está previsto no Art. 134 do Estatuto e no Art. 188 do Regimento Geral da PUC-SP.

3) O relatório da Comissão Sindicante está sustentado nos depoimentos dos agentes de segurança da empresa Graber, que é uma empresa privada de serviços terceirizados, que emprega e treina agentes de segurança para empresas em geral, sem nenhuma qualificação específica para trabalho no ambiente universitário; portanto, o corpo de segurança da Graber não tem preparo adequado para entender e interpretar corretamente os valores e os costumes que norteiam normalmente a vida de uma instituição de ensino superior, onde a democracia interna, a liberdade de expressão, o debate e a divergência fazem parte da natureza acadêmica, e que a militância estudantil e social costuma ser respeitada como direito da cidadania.

4) A Comissão Sindicante fechou o relatório final sem ouvir os estudantes, em especial os que foram citados e acusados nos depoimentos dos agentes da segurança privada. Esse procedimento afronta todos os princípios do Direito e da Justiça: não se pode acusar e denunciar formalmente quem quer que seja sem antes ouvir a palavra do acusado e do denunciado. Formalizar uma acusação apenas com base na palavra de uma "testemunha" foge completamente ao sentido maior da sindicância, que é apurar – com o máximo de precisão – a veracidade dos fatos. Não respeitar essa intenção, que depende da boa-fé dos sindicantes, é falsear todo o processo da sindicância e exercer simplesmente uma irresponsável e odiosa discriminação contra os acusados. Tal procedimento, inclusive, é passível de ação indenizatória por danos morais, já que formalizou uma acusação contra os estudantes antes mesmo de se permitir a defesa e o contraditório. Existe uma tentativa deliberada e forçada de transformar nove estudantes em lideranças de um movimento organizado, o que pode caracterizar um embuste para punir "bodes expiatórios" previamente escolhidos pela direção da Universidade.

5) Ao acatar o relatório da Comissão Sindicante para determinar a abertura do Processo Administrativo contra os alunos, sem ponderar sobre eventuais falhas, vícios e delitos praticados nos procedimentos adotados pelos sindicantes, a reitora Maura Véras incorreu também em erro de origem, pois deu seqüência às acusações e denúncias contra alguns estudantes tendo como base um relatório parcial e arbitrário. Se tivesse tido o cuidado de preservar os princípios básicos do direito, e o próprio Estatuto da Universidade, teria determinado que a Comissão Sindicante ouvisse também os estudantes – antes de se consumar qualquer acusação ou denúncia. No entanto, o ato da reitoria tal como está já apresenta no seu objeto a relação dos alunos que devem ser punidos, já que foram identificados, julgados e condenados pela Comissão Sindicante. Só falta a pena. Tal procedimento afronta o respeito aos direitos humanos, pois deixa explícita a intenção discriminatória e arbitrária de punir alguém sem assegurar amplo direito de defesa. O processo em andamento já está viciado desde o início e, portanto, deve ser anulado sob pena de causar mais danos às pessoas envolvidas e comprometer ainda mais a história e a imagem pública da PUC-SP.

Diante do exposto, a APROPUC conclama a comunidade a protestar contra essa impostura processual; o Conselho Universitário (Consun) a indicar a devida anulação do Processo Administrativo em curso; e a sociedade para defender a história de luta democrática da PUC-SP – ameaçada no momento por atos de injustiça e de violação dos Direitos Humanos.

Diretoria da Apropuc
20.02.2008
*****
O que garante o direito de defesa aos estudantes

Estatuto da PUC-SP:
"Art. 134 – Nas sindicâncias deve ser ouvido sempre o indiciado, que tem o direito de indicar os elementos ou provas de interesse de sua defesa, provas estas que poderão ser realizadas, se julgadas necessárias, a juízo da autoridade sindicante".

Regimento Geral da PUC-SP:
"Art. 188 – Colhidas as informações necessárias à comprovação dos fatos e sua autoria, deverá ser ouvido o sindicado, que poderá apresentar provas de seu interesse no ato ou no prazo máximo de três dias, para que o sindicante possa apreciá-las".


Constituição Federal
"Art. 5º - LV – Aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes."

Declaração Universal dos Direitos Humanos:
"Artigo 11º - Todo ser humano acusado de um ato delituoso tem o direito de ser presumido inocente até que a sua culpabilidade tenha sido provada de acordo com a lei, em julgamento público no qual lhe tenham sido asseguradas todas as garantias necessárias à sua defesa".
*****
A MÁ-FÉ DA REITORIA EM SEU BOLETIM

Em artigo assinado pela Reitoria e veiculado no boletim "A Semana", de 11 a 17 de fevereiro, está escrito o seguinte: "A Comissão Sindicante realizou seus trabalhos de investigação e convocou os estudantes que haviam sido arrolados nos autos para serem ouvidos. No entanto, todos eles recusaram prestar depoimentos, sob diversas alegações".

A VERDADE: Os estudantes foram convocados para prestar depoimento por telegrama, sem especificação de assunto; a medida mais correta, no caso, orientada por advogado, foi solicitar cópia do ato da reitoria que instaurou a comissão sindicante, de forma que eles pudessem se inteirar do assunto em questão, e, ao mesmo tempo solicitaram adiamento do depoimento para outra data a ser marcada pela comissão. Os documentos apresentados individualmente pelos alunos afirmam expressamente que eles não se negaram a depor, apenas precisavam estar cientes do assunto da sindicância. A comissão sindicante decidiu fechar o relatório final sem colher os depoimentos dos alunos. Não cumpriram o Estatuto da PUC-SP, arrolaram nove estudantes sem dar a eles o direito sagrado de se defender e apresentar testemunhas e provas de seu interesse.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Não tem explicação...

Tão estranho o inesperado que desloca as horas através das mãos que se tocam e se arvoram no descobrimento de faces,na dualidade de um atemporal verão. Jefferson Henrique-Sem explicação

A tarefa do PSOL é lutar pela educação socialista

  19/01/2012    por Roberto Leher (FEUFRJ) Chegamos ao alvorecer do século XXI tendo que ter atravessado por experiências que os dominantes representaram como (ideologia da) modernização, processo este que assumiu proporções mais dramáticas no último meio século. Em 2005, a escolaridade média da população economicamente ativa era de indignos quatro anos, pouco mais da metade do que de países como Argentina, Chile ou México. E a nova onda de modernização conservadora, agora manifestadamente neoliberal, de Cardoso e Lula da Silva, segue expandindo a escola para menos. Mesmo os medíocres testes de aprendizado confirmam que um número inadmissível de crianças e jovens chega à metade do ensino fundamental mal sabendo o que os senhores de escravos que escreveram a primeira constituição do país após a Independência denominaram de primeiras letras. Esse apartheid educacional é sim uma ...

260 para renovar

APUHBLOG completa suas 260 postagens e 4 anos de existência,com longos hiatos por mais diversos motivos procurando divulgar o melhor do pensamento critico estabelecendo pontes entre o saber produzido na academia,com as lutas populares que ensejam a construção de sociedade oposta aos valores capitalistas,elevando que não só a Politica mas Arte nos marcos da disputa para que os trabalhadores se apropriem,dos códigos e da elevação do conhecimento,pois a vida não é so o consumismo,cultura de massa e modismos. Não faltou o Humano todo o sentido de que acompanhou minhas crises e construção do que chamam de sujeito homem,o auto-conhecimento,as duvidas,raivas,desilusões,vazios algo comum e normal,ao inves de me esconder em abrigos seguros preferi expor as visceras,hoje vejo como um processo continuo diferente de associar a ideia de que tudo esta pronto acabado,no entanto relatos pessoais serão mais um apanhado do período,a qual me centrarei em escrever no dia 31 do mês que houver. O Urban...