Pular para o conteúdo principal

O Marxismo manda lembranças.

O Artigo abaixo é de Cesar Benjamin,é importante frisar que muito nesses ultimos anos
seja a burguesia,seja Professores (pos-modernos ou não) afirmavam que o Marxismo
assim como seus conceitos a Luta de Classes,o Trabalho,o Socialismo estavam
mortos,que os escritos de Karleram utopicos,bom veio essa
crise imobiliaria e veja quem
escreveu há 150 anos atras sobre isso,sim sim sim o
tio Marx,então muito respeito e leitura para criticar.

Saudações
Jefferson Henrique

Karl Marx manda lembranças
O que vemos não é erro; mais uma vez, os Estados tentarão salvar o capitalismo da ação predatória dos capitalistas

AS ECONOMIAS modernas criaram um novo conceito de riqueza. Não se trata mais de dispor de valores de uso, mas de ampliar abstrações numéricas. Busca-se obter mais quantidade do mesmo, indefinidamente. A isso os economistas chamam "comportamento racional".
Dizem coisas complicadas, pois a defesa de uma estupidez exige alguma sofisticação. Quem refletiu mais profundamente sobre essa grande transformação foi Karl Marx. Em meados do século 19, ele destacou três tendências da sociedade que então desabrochava: (a) ela seria compelida a aumentar incessantemente a massa de mercadorias, fosse pela maior capacidade de produzi-las, fosse pela transformação de mais bens, materiais ou simbólicos, em mercadoria; no limite, tudo seria transformado em mercadoria; (b) ela seria compelida a ampliar o espaço geográfico inserido no circuito mercantil, de modo que mais riquezas e mais populações dele participassem; no limite, esse espaço seria todo o planeta; (c) ela seria compelida a inventar sempre novos bens e novas necessidades; como as "necessidades do estômago" são poucas, esses novos bens e necessidades seriam, cada vez mais, bens e necessidades voltados à fantasia, que é ilimitada.
Para aumentar a potência produtiva e expandir o espaço da acumulação, essa sociedade realizaria uma revolução técnica incessante. Para incluir o máximo de populações no processo mercantil, formaria um sistema-mundo. Para criar o homem portador daquelas novas necessidades em expansão, alteraria profundamente a cultura e as formas de sociabilidade. Nenhum obstáculo externo a deteria.
Havia, porém, obstáculos internos, que seriam, sucessivamente, superados e repostos. Pois, para valorizar-se, o capital precisa abandonar a sua forma preferencial, de riqueza abstrata, e passar pela produção, organizando o trabalho e encarnando-se transitoriamente em coisas e valores de uso. Só assim pode ressurgir ampliado, fechando o circuito. É um processo demorado e cheio de riscos.
Muito melhor é acumular capital sem retirá-lo da condição de riqueza abstrata, fazendo o próprio dinheiro render mais dinheiro. Marx denominou D - D" essa forma de acumulação e viu que ela teria peso crescente. À medida que passasse a predominar, a instabilidade seria maior, pois a valorização sem trabalho é fictícia.
E o potencial civilizatório do sistema começaria a esgotar-se: ao repudiar o trabalho e a atividade produtiva, ao afastar-se do mundo-da-vida, o impulso à acumulação não mais seria um agente organizador da sociedade.
Se não conseguisse se libertar dessa engrenagem, a humanidade correria sérios riscos, pois sua potência técnica estaria muito mais desenvolvida, mas desconectada de fins humanos.
Dependendo de quais forças sociais predominassem, essa potência técnica expandida poderia ser colocada a serviço da civilização (abolindo-se os trabalhos cansativos, mecânicos e alienados, difundindo-se as atividades da cultura e do espírito) ou da barbárie (com o desemprego e a intensificação de conflitos).
Maior o poder criativo, maior o poder destrutivo. O que estamos vendo não é erro nem acidente. Ao vencer os adversários, o sistema pôde buscar a sua forma mais pura, mais plena e mais essencial, com ampla predominância da acumulação D - D". Abandonou as mediações de que necessitava no período anterior, quando contestações, internas e externas, o amarravam. Libertou-se. Floresceu. Os resultados estão aí.
Mais uma vez, os Estados tentarão salvar o capitalismo da ação predatória dos capitalistas. Karl Marx manda lembranças.
CESAR BENJAMIN, 53, editor da Editora Contraponto e doutor honoris causa da Universidade Bicentenária de Aragua (Venezuela), é autor de "Bom Combate" (Contraponto, 2006). Escreve aos sábados, a cada 15 dias, nesta coluna.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Não tem explicação...

Tão estranho o inesperado que desloca as horas através das mãos que se tocam e se arvoram no descobrimento de faces,na dualidade de um atemporal verão. Jefferson Henrique-Sem explicação

A tarefa do PSOL é lutar pela educação socialista

  19/01/2012    por Roberto Leher (FEUFRJ) Chegamos ao alvorecer do século XXI tendo que ter atravessado por experiências que os dominantes representaram como (ideologia da) modernização, processo este que assumiu proporções mais dramáticas no último meio século. Em 2005, a escolaridade média da população economicamente ativa era de indignos quatro anos, pouco mais da metade do que de países como Argentina, Chile ou México. E a nova onda de modernização conservadora, agora manifestadamente neoliberal, de Cardoso e Lula da Silva, segue expandindo a escola para menos. Mesmo os medíocres testes de aprendizado confirmam que um número inadmissível de crianças e jovens chega à metade do ensino fundamental mal sabendo o que os senhores de escravos que escreveram a primeira constituição do país após a Independência denominaram de primeiras letras. Esse apartheid educacional é sim uma ...

260 para renovar

APUHBLOG completa suas 260 postagens e 4 anos de existência,com longos hiatos por mais diversos motivos procurando divulgar o melhor do pensamento critico estabelecendo pontes entre o saber produzido na academia,com as lutas populares que ensejam a construção de sociedade oposta aos valores capitalistas,elevando que não só a Politica mas Arte nos marcos da disputa para que os trabalhadores se apropriem,dos códigos e da elevação do conhecimento,pois a vida não é so o consumismo,cultura de massa e modismos. Não faltou o Humano todo o sentido de que acompanhou minhas crises e construção do que chamam de sujeito homem,o auto-conhecimento,as duvidas,raivas,desilusões,vazios algo comum e normal,ao inves de me esconder em abrigos seguros preferi expor as visceras,hoje vejo como um processo continuo diferente de associar a ideia de que tudo esta pronto acabado,no entanto relatos pessoais serão mais um apanhado do período,a qual me centrarei em escrever no dia 31 do mês que houver. O Urban...